Duas Figuras Emblamaticas de nossa historia
1986: ELIODORO E MANOEL AMORIM
ROQUE DA SILVA E MANOEL AMORIM: A MEMÓRIA DE UMA GERAÇÃO QUE ENFRENTOU O PODER E SONHOU COM UMA NOVA CANDEIAS
Da luta pela água à redemocratização, passando pela política municipal e pelo sonho de trazer a UNEB para Candeias, dois personagens deixaram suas marcas na história política do município
Por Candeias Tem Notícias
A história política de Candeias também é feita por homens e mulheres que, em diferentes épocas, participaram dos grandes debates que marcaram o município. Entre esses personagens estão Roque da Silva e Manoel Amorim, duas figuras lembradas por sua atuação política, pela mobilização popular e pela participação em um período de profundas transformações no Brasil.
UMA CIDADE SOB UM PERÍODO POLÍTICO DIFÍCIL
Durante o regime militar brasileiro, Candeias passou por um período em que a autonomia política municipal esteve limitada pela condição de área de segurança nacional, com a presença de prefeitos nomeados em diferentes momentos. A política local também era influenciada pela estrutura partidária da época, especialmente pela ARENA, enquanto setores de oposição buscavam espaços para defender suas ideias e reivindicações.
Foi nesse ambiente que Manoel Amorim construiu sua trajetória política. Sua atuação ganhou força junto à população e posteriormente ele se tornou vereador, alcançando expressiva votação e passando a ser lembrado como um dos nomes de destaque da história legislativa de Candeias, lembrando Manoel Amorim se tornou o vereador bem mais votado na historia de Candeias..
MANOEL AMORIM E A LUTA PELA ÁGUA
Entre as reivindicações que marcaram sua trajetória esteve a luta pelo abastecimento de água. Naquele período, poucas famílias tinham água encanada dentro de suas residências. Para grande parte da população, conseguir acesso regular à água representava uma necessidade básica e uma questão de cidadania.
Manoel Amorim participou da mobilização da população em defesa dessa reivindicação, levando para o espaço político uma demanda que fazia parte do cotidiano das famílias candeenses.
ROQUE DA SILVA, O POLÍTICO QUE TINHA UMA HISTÓRIA PARA CONTAR
Roque da Silva também ocupa um espaço especial nessa memória. Além de sua participação política e de ter chegado à condição de suplente de vereador, era conhecido por sua personalidade extrovertido, comunicativo e espontâneo.
Quem conviveu com Roque lembra principalmente de sua capacidade de conversar e de contar histórias. Ele tinha facilidade para transformar acontecimentos políticos e episódios do cotidiano em narrativas que prendiam a atenção de quem estava ao seu redor.
Mais do que um personagem político, Roque tornou-se também um contador de histórias da própria Candeias, ajudando a manter viva a memória de acontecimentos que poderiam se perder com o passar das décadas.
1986: UMA NOVA FASE NA POLÍTICA CANDEENSE
Em meados de 1986, Candeias viveu uma importante disputa eleitoral. A chapa formada por Eliodoro e Manoel Amorim chegou à Prefeitura, iniciando uma administração que ficou associada a intervenções importantes na infraestrutura urbana.
Entre as obras lembradas daquele período estão ações de pavimentação e asfaltamento de vias como a Rua 13 de Maio, Rua 21 de Abril e Avenida Antônio Paterson.
Para uma cidade que ainda enfrentava grandes carências de infraestrutura, essas intervenções representavam mudanças visíveis no cotidiano da população.
QUANDO A REDE GLOBO OLHOU PARA CANDEIAS
Outro episódio que permanece na memória de muitos candeenses foi a presença da Rede Globo no município.
A jornalista Glória Maria esteve em Candeias para entrevistar o então chamado primeiro prefeito mirim do Brasil, filho de Manoel Amorim. A desenvoltura do jovem diante das câmeras chamou a atenção e transformou aquela reportagem em um momento marcante para a cidade.
Era Candeias sendo mostrada para o Brasil através de uma história que unia política, juventude e participação comunitária.
O SONHO DE ROQUE: UMA UNIVERSIDADE PARA CANDEIAS
Mas Roque da Silva não pensava apenas na política do presente. Na década de 1990, segundo relatos ligados à sua trajetória, ele elaborou um projeto para implantação de um núcleo da UNEB em Candeias, com cinco cursos de graduação.
A ideia era ousada para aquele momento: possibilitar que jovens candeenses tivessem acesso ao ensino superior sem precisar deixar o município.
Segundo a memória desse episódio, a proposta encontrou como obstáculo a avaliação de que o município não teria condições de assumir as despesas mensais necessárias para manter a estrutura.
Naquele período, Candeias teria uma arrecadação em torno de R$ 900 mil por mês, conforme o relato histórico. Hoje, segundo o dado apresentado para esta reportagem, a arrecadação municipal ultrapassa R$ 1,5 milhão por dia.
É importante observar que os valores pertencem a períodos econômicos completamente diferentes e não podem ser comparados diretamente sem atualização monetária e análise das receitas municipais. Ainda assim, a diferença ajuda a dimensionar a transformação econômica ocorrida em Candeias ao longo das décadas e permite reabrir uma pergunta histórica: o sonho de levar o ensino superior para perto da população poderia ter mudado o futuro de muitos jovens candeenses?
DA RESTRIÇÃO POLÍTICA À DEMOCRACIA
Outro capítulo importante dessa história foi o momento em que Candeias deixou a condição de área de segurança nacional. A notícia foi recebida por lideranças políticas locais, entre elas personagens ligados àquele período de transformação, como um sinal de que a cidade caminhava para uma nova etapa de autonomia política.
Roque da Silva e Manoel Amorim estavam inseridos justamente nessa geração que acompanhou a passagem de um período de restrições políticas para a redemocratização brasileira.
UMA MEMÓRIA QUE NÃO PODE SER APAGADA
Décadas depois, os nomes de Roque da Silva e Manoel Amorim continuam fazendo parte da memória política de Candeias.
Manoel Amorim é lembrado pela mobilização popular, pela atuação parlamentar e pela defesa de reivindicações como o acesso à água. Roque da Silva permanece na lembrança de muitos pela personalidade extrovertida, pela habilidade de contar histórias e por iniciativas que revelavam uma preocupação com o futuro do município, como o projeto de implantação de um núcleo da UNEB.
Resgatar essas histórias não significa apenas lembrar dois políticos. Significa reconstruir a memória de uma cidade e mostrar às novas gerações que Candeias possui uma trajetória política marcada por disputas, sonhos, reivindicações populares e personagens que ajudaram a escrever diferentes capítulos de sua história.
A história de Candeias não está somente nos documentos oficiais. Ela também está na memória daqueles que viveram, participaram, lutaram e sonharam com uma cidade diferente.
E talvez seja justamente por isso que histórias como as de Roque da Silva e Manoel Amorim dentro outras pessoas emblematica da nossa historia local precisem ser contadas novamente.







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